tradução: “Uau, você é um ótimo caçador!” “Não, na verdade sou é um péssimo veterinário.”
Volta e meia temos grandes problemas com os gatos que doamos. Não, com os gatos não: o problema são sempre os humanos!
Nosso trabalho, que já tem oito anos, vem sempre sendo aprimorado. Como começamos ajudando um abrigo daqueles bem horríveis, de taxa de mortalidade que beira os 100% entre os filhotes, realmente sabemos como é péssimo doar um gato doente. Péssimo pro gato, péssimo pro adotante, péssimo para nosso grupo. Desde essa experiência com o abrigo, fomos ficando cada vez mais chatos com saúde. Os gatos chegam e não temos a mínima idéia do histórico deles. Então TODOS sem exceção vão para quarentena, ficam isolados (ninhadas que chegam juntas ficam juntas, mas só nesse caso) e passam por um período de observação. Assim que chegam tomam banho de frontline (nosso vet não economiza), tomam vermífugo. Daí a uns dias tomam vacina. Fazem hemograma. Só usamos vacina Pfizer. Eles só comem Royal Canin. É, somos chatos, chatos, chatos, exigentes, meticulosos. Justamente queremos ser o extremo oposto dos abrigos horrorosos. Por isso temos poucos animais e por isso temos que cobrar uma taxa de adoção. Tratar de um gatinho, por mais saudável que ele chegue, não sai por menos de R$ 100 (vacina, vermífugo, frontline e ração super premium é o básico do básico). Com alguns os gastos beiram os R$ 1000 só de tratamento.
Mas mesmo depois de toda a extensa explicação que fazemos para todos que querem adotar, tem gente que não entende! Mesmo indo na quarentena e vendo como é o esquema, mesmo pagando a taxa e assinando o contrato de adoção não entra na cabeça que apesar de ser um gato de rua, é um gato que foi bem tratado e está realmente pronto para um lar — não um gato recém tirado da sarjeta. Ah, deixamos bem claro que se o gatinho apresentar qualquer sintoma, ou se o novo dono tiver alguma dúvida, é só levar no nosso vet que nada será cobrado.
Dois casos para ilustrar a “ingenuidade” (é a palavra mais light que achei)
caso 1) Uma moça foi visitar uma gatinha que já estava liberada. Escolheu outro, que o vet não havia ainda liberado porque estava terminando o tratamento de otite. A moça insistiu, insistiu, e tudo bem, o veterinário liberou. Pegou o gato, limpou a orelha dele na frente dela, explicou como ela teria que fazer, deu a receita e pediu para ligar em caso de qualquer dúvida. Só que noite de noite uma coisa incrível aconteceu: o gato coçou a orelha! Coçou de verdade, como se estivesse com otite (acho que ela esqueceu que estava mesmo). Bom, isso foi motivo suficiente para a tal pessoa correr num veterinário qualquer, sem nenhuma referência e não ligar para o nosso nem para conversar. Resultado: o tal veterinário, ao saber que era gato “de ONG”, viu cifrões na frente dele. Falou logo que o gato tinha uma doença contagiosa, que era sarna de ouvido (era uma OTITE!) e cobrou, pasmem, R$ 400 da pessoa. Bem feito. Pegamos o gatinho de volta no dia seguinte, pois a pessoa insistia na doença contagiosa. Acho que depois de pagar R$ 400 ela preferiu acreditar, afinal.
caso 2) Uma linda gatinha ainda filhote, super espoleta, foi adotada por uma moça de 24 anos. Com essa idade achamos que era uma pessoa adulta, claro. Que sabia entender o que lia, que entendeu porque pagou a taxa, que entendeu que aquela carteirinha na mão dela era um atestado de vacinação… que entendeu que uma gatinha gordinha e brilhante só podia mesmo estar bem cuidada. Mas que nada. Daí a dois dias recebemos um email. Que a mamãe dela foi visitar e viu que a gata tinha fungo na orelha. Ela tinha mesmo um arranhão na orelha, de brincar com outra gatinha. Putz, arranhão tem cara de arranhão, e achamos tão óbvio que ninguém comentou com a tal adotante. E a super-mamãe, com o superpoder da visão microscópica, detectou o fungo. Deixando bem claro: nem uma super-mãe nem um super-vet podem olhar e afirmar que algo é fungo. É preciso fazer uma raspagem e olhar no microscópio. Pensa que ela ligou para a gente? Não… levou num veterinário qualquer. Que, adivinhe? Deu os parabéns pelo superpoder da mamãe, disse que era fungo mesmo (microscópio só os humanos normais precisam, esse vet também tinha uma super-visão-laser) e que… era uma doença altamente contagiosa! Que a gatinha tinha que ficar isolada, vendeu mil produtos, prescreveu um tratamento via oral que vai muito provavelmente lesar o fígado da coitadinha, mandou lavar as mãos com sabonete bactericida (ui!) sempre que encostasse na gata. Ah, que a gata passou fome! A nossa gata gordinha alimentada a royal canin kitten 34! Enfim, assim que o sujeitinho ouviu as palavras mágicas “adotei de ONG” ele também viu cifrões. Quisemos pegar a gatinha de volta, lógico. Só que a mamãe da menininha deu vários pitis. Disse inclusive que rasgou o contrato de adoção portanto ele não era mais válido. Eu adorei! Vou rasgar todas as contas que eu não gostar. Rasgou, deixa de existir, não é o máximo?
Digno de nota: nestes dois casos, os veterinários eram veterinários de dois grandes pet shops de shopping. Recém formados, que ganham comissão quanto mais produtos empurram para os clientes. É de assustar.









É por esses casos e outros que ONG´s responsáveis como o Adote existem. Nosso trabalho não é só resgatar animais da rua, doenças e maus tratos. Nosso trabalho, acredito que acima de tudo, é com o futuro. Conversamos, trocamos idéias, pesquisamos, lemos e sim, nós conscientizamos! Os gatos? não! Os humanos. Pessoas que não conhecem a vida animal, seus instintos e suas necessidades, e aí nosso trabalho começa. Vamos ‘educar’ esta pessoa, para que ela eduque outras, que educarão outras e por fim, teremos uma sociedade consciente que animais tem direitos, apenas direitos. E estes devem ser respeitados!
Então, leia antes de assinar, sempre!
Oi pessoal!
Adorei a ONG de voces!!
Tenho dois gatinhos lindos, e estou pensando em adotar um terceiro para fazer companhia!
Porém, depois de ler esse artigo, fiquei com uma dúvida… Se eu adotasse um gato com vocês, eu sou obrigada a usar o veterinário que vocês usam? Pois pelo que entendi as moças quiseram uma segunda opinião com outro veterinário…
oi Fabiana, que bom que você perguntou! Ninguém é obrigado, claro, a usar o mesmo vet. Até porque mais da metade dos gatinhos que doamos vai para São Paulo. A gente só quer que fique claro (e eu sei que não adianta falar nem escrever, tem gente que tem preconceito mesmo contra gato de rua, mesmo adotando) que temos muito cuidado com saúde, e que não são gatinhos doentes. Os dois casos aconteceram praticamente no dia seguinte da adoção, e se tivessem ligado pelo menos para nos contar o que estava acontecendo, nada disso teria acontecido. Ah, deixando bem claro: ninguém ia cobrar nada das adotantes, mesmo que o gato tivesse que fazer um tratamento caro. Ia sair do nosso bolso. Olha, depois de 8 anos justamente lutando contra as doenças altamente contagiosas que existem nos abrigos, não tem como não ficar ofendido com veterinários que se aproveitam desse fato para arrancar dinheiro dos clientes. Temos alguns ótimos veterinários que recomendamos em Campinas, e em São Paulo também, e eles não tem filiação alguma com a ONG. Só são competentes e honestos.
Nossa, tudo isso é muito triste.
Sinto muito pela tristeza e decepção que vocês passaram.
Sinto muito pelos gatinhos mal adotados.
E sinto também por ainda existirem pessoas tão ignorantes e veterinários tão… sem ética (para não dizer outra coisa).
Admiro o trabalho de vocês, ajudam os gatinhos e concientizam as pessoas.Eu mesma aprendi muito com vocês.
A minha mãe doou uma gatinha, uns 15 anos atrás, para um professor meu,e ela explicou tudo direitinho para ele mas, quando começaram as aulas, perguntei da gatinha e ele me disse que ela tinha morrido, perguntei como? porque? e ele disse:- acho que ela morreu de fome porque não caçou nenhum rato lá de casa.
Gente! Como podíamos imaginar que um professor de física, aparentemente bem informado, iria até a minha casa para pegar um gato para comer ratos…Terrível!
Depois disso ficamos traumatizados e só doamos mais uma gata que foi devolvida e acho que foi de tanto a gente ligar para a adotante para saber se estava tudo bem com a gatinha, se ela tinha comido…
Deve ser por essa experiência ruim que tenho tanto medo de doar o Naná e já dispensei 2 adotantes.
Quero que o Naná seja adotado mas,só se ele for para um lar melhor e não pior.
Acho que vocês pensam o mesmo, não é?
Beijos e sucesso, Flávia
oi Flávia, nossa, essa do rato foi demais! Que horror! Vamos pensar que a gatinha foi mais inteligente que esse professor e simplesmente arrumou outra casa para morar. Alguém que acha que o gato vai se alimentar de ratos com certeza deixava sair pra rua… prefiro acreditar num final feliz — para que que ela ia voltar pra “casa”?
Como sou pediatra e já vi muita conduta mal-feita em poucos anos de formada, só levo parente pra médico que eu conheça… a mesma coisa se aplica aos meus bichaninhos fofos. Pet Shop de shopping só serve pra eu comprar produtos por preço de atacado, isso se tiver. Se não, é só para eu ficar babando nas coisas fofas que eles colocam nas prateleiras.
Pôxa, eu tô com dois gatos de rua aqui em casa (gordos, lindos e ronronentos) e só levo em veterinário que eu conheço ou que me foi indicado. Aliás, quero saber como é que esse super-vet conseguiu a visão de fungo, porque nem eu consigo ter certeza se é ou não. Geralmente eu falo pra mãe “PROVAVELMENTE é fungo” ou “TEM CARA DE bactéria” ou “vamos esperar o exame para ter certeza”. Acho que as mães acham que sou a pediatra mais indecisa da face da Terra, hohoho.
Olá, pessoal.
Tenho acompanhado o trabalho de vocês a alguns meses e gostaria de dar meus parabéns a vocês pelo que vocês fazem por todos esses gatinhos!
Eu tenho algumas perguntas sobre este último post de vocês. Eu sou dermatologista e trabalho na área há 7 anos. Achei estranho vocês falarem que apenas através de um exame de raspagem seria possível identificar se o gatinho do segundo caso estava com fungo. Marcas causadas por fungos são bem características e é muito difícil confundí-las com arranhão. Dermatologistas (e veterinários!) experientes conseguem reconhecer esse tipo de dermatose só de olhar para a pele, tanto é que é procedimento comum indicar um tratamento sem pedir exames para esses casos. Esses exames custam relativamente caro e normalmente o diagnótico é facilmente descoberto visualmente sem a necessidade dos exames.Essas dermatoses causadas por fungos são muito comuns, especialmente neste calor, e o tratamento comum geralmente resolve o problema. Só fazemos exame caso o tratamento comum não resolva, o que indica que o fungo pode ser mais resistente e precisar de um tratamento diferente.
Acho muito difícil um veterinário conseguir enganar algum cliente falando que um arranhão é uma dermatose principalmente por uma razão: um arranhão estaria curado em poucos dias enquanto para curar a dermatose seriam necessárias algumas semanas de tratamento para que fosse completamente curada. Além disso, normalmente as dermatoses causam queda de pelo em volta das regiões afetadas em animais, enquanto arranhões não tem essa mesma característica.
Então, aí vai minha pergunta… vocês viram como a gatinha está no momento? Há quanto tempo isso aconteceu? Ela ainda está com a marca na orelha? A gata ainda está sendo tratada pra fungos?
Quem sabe o veterinário estava certo… não é só porque eles trabalham em pet shop de shopping que eles são ruins. :) Só espero que esteja tudo bem com os gatinhos!
Só mais uma coisa sobre o comentário da Flávia. Eu discordo que esses dois gatinhos tenham sido mal adotados. Só o fato das duas moças terem levado os gatinhos no veterinário já demonstra a preocupação com o bem estar deles! Acredito que os gatinhos estão bem melhor agora do que se eles ainda estivessem na rua! :D
Paolla e Renata, duas opiniões de médicas divergentes. Olha, Renata, essa gatinha era hiper espoleta. Nas vezes eu eu fui visitar eu vi ela levando patada na orelha de uma gata mais velha, quando soltamos para brincar. Patada de unha, forte, para machucar. No resto do tempo ela ficava com uma gatinha tão espoleta qto ela, e eles se pegavam o tempo todo.
Nós fazemos a quarentena (de pelo menos 30 dias), que é um tempo razoável para qualquer sintoma se manifestar. A lesão dessa gatinha era aquele cortinho superficial, com pouca falha de pelo e já formando casquinha.
Eu sei que raspagem não é barato, mas a gente faz principalmente em filhotes. Por quê? Porque em gato, diferente de gente, creme não resolve. Gato lambe tudo, hehehe! E medicamento via oral (fluconazol ou itraconazol, não sei mais, vc certamente sabe melhor que eu) é ruim para o fígado, e evitamos a todo custo dar para gatinhos filhotes.
Infelizmente, não temos a minima idéia de como a gatinha está. As “noticias” que tivemos foram telefonemas ameaçadores para nosso veterinário, e um email dizendo que eles estão felizes de terem salvo a gatinha de nossas garras… :-( Está bem melhor que na rua sim, mas ela não estava mais na rua. Estava segura e protegida a espera de um bom dono. Bom, não dá para acertar todas, e espero que esse pessoal trate melhor dos animais do que eles tratam as pessoas.
Eu também acho que não é só porque é de shopping tem que ser ruim. Mas coincidentemente (ou não) os dois casos foram de shopping, e nos dois casos eles entupiram o cliente de remédios (R$ 400 pra remédio de otite).
Serei sincera: eu só sei ver lesões em pele de gente, não em pêlo de gato, tanto que comi bola com o Calvin e deixei que a lesão na perna traseira direita passasse para a esquerda (e agora pago o preço, vendo o infeliz bichano com aquele cone na cabeça).
Porém, acho que o que a Estela quis mais salientar não foi nem o fato do profissional ter já falado que era fungo, mas a quantidade de medicações prescritas e o preço pago no final. Nessa brincadeira do Calvin, gastei R$160,00, sendo consulta + exame + tubo de Quadriderm veterinário + 2 tigelas de metal para Cocker Spaniel + adesivo do Adote um Gato + colar + coleirinha para segurar o colar.
E é aquilo que comentei anteriormente: para meus amigos e familiares, só médicos recomendados e conhecidos. Para meus bichos, funciona da mesma maneira, portanto, se alguém me recomendar bem um veterinário de shopping, irei tranqüilamente, mas até agora, isso não aconteceu.
Olá
Primeiramente gostaria de dizer que discussões como essa nos levam ao aprendizado.
Gostaria de esclarecer à Estela e a todos os interessados, que infelizmente, a gatinha mencionada no caso do professor que achava que gatos comiam ratos, realmente morreu. Gostaria também de acreditar em contos de fada…Mas, o fato foi que ela morreu de fome por, em milhares de anos, ter desaprendido a comer ratos e por ter sido deixada, por mim e por minha mãe, aos cuidados de um humano que, infelizmente ignorava essa informação.
Agradeço à Renata por discordar de meu comentário. Pois, pensei melhor e observei que as adotantes só estavam procurando o melhor para seus filhotes felinos.
E mesmo sendo discordantes, as opiniões veterinárias, foram, para a elucidação dos casos, em questão, senão esclarecedoras, no mínimo elucidativas.
Sempre procuro uma segunda opinião, quando me sinto insegura.
Espero que as gatinhas e todos os gatinhos estejam bem!
Beijos Flávia
Olá meninas!
A discussão é interessante!
Nós, pessoas, sempre pensamos diferente mesmo, e temos reações diferentes também. Quanto adotei meus gatinhos, sempre ligava para dar notícias às protetoras que cuidaram deles antes, e pedia informações (o histórico dles mesmo), enfim, procurava tranquilizar o coração de quem salvou e deu amor aos peludos antes de mim…
Enfim: pelo que vi, esse tipo de preocupação não é muito comum, então ao primeiro impasse com o gatinho, o adotante busca ajuda do veterinário mesmo. Acho que é certo sim, mas em muitos casos algum detalhe do comportamento do bichinho poderia ajudar no diagnostico, né?
Os fungos que meus gatinhos desenvolveram logo que foram para casa foram resultado de stress (da mudança mesmo), que baixou a imunidade deles… acontece, é normal, e não é contagioso. Mesmo assim fiquei assustada, e conversei novamente com as protetoras, que contaram diveeeeersos casos e me tranquilizaram!
O fungo de ouvido, ou a sarna de ouvido são tranquilos de cuidar também, e o tratamento não sai caro! fiquei horrorizada com o valor dos remédios que prescreveram para as meninas da história! credo, tadinhas!
Bom, não vou prolongar o texto… mas gostei muito.
Bjos!